O MSN - concluo depois de alguns meses com o meu menino - é uma ferramenta do Mal a serviço do Mal. Afinal, ele traz uma conjuntura de fatores que, em qualquer relacionamento humano, pode levar a desastres:
1- Não se pode ouvir a voz nem ver a expressão do interloucutor (fora, é claro, as ainda falhas ferramentas da webcam e microfone)
2- É extremamente difícil adivinhar que tom cada frase pode assumir (foi um tom jocoso? Foi sarcástico? Ou ele estava falando sério mesmo?)
3- O fato da pessoa não estar por perto às vezes atua como um fator desinibidor (ou seja, se você tem medo de falar merda perto da pessoa, às vezes o MSN faz o seu cérebro pensar "longe", mesmo que você esteja se comunicando com ela, e aí já viu...)
4- O único recurso de comunicação são as palavras - tão vazias e sem sentido diante de um simples abraço, ou um carinho, ou um olhar, ferramentas essas totalmente negadas no mundo virtual.
Assim, saindo da teoria para a experiência, a grande maioria dos desentendimentos que temos acaba sendo por MSN, exatamente pelos 4 motivos citados acima, às vezes sozinhos, às vezes combinados.
Mas, mesmo com o reconhecimento dessa ferramenta como malévola e demoníaca, a saudade é mais forte do que o bom senso (ou às vezes, os dois estão sem nada pra fazer mesmo e ficam no PC), e cá estávamos nós, em mais um dia de greve como qualquer outro, à noite no msn...
*Narrativa passa da explicação para err... a narrativa de um acontecimento, mesmo*
Noite de quarta-feira, dia 7, final da novela-das-8-que-passa-às-9, Abril, 2010.
Aviso para o meu grumpy boy que a ideia de voltar para minha cidade natal durante a semana para atualizar meu RG será, de fato, colocada em prática - ou seja, uns bons 3 dias em que não poderemos nos ver... e a conversa segue:
G (de grumpy, hehe) diz:
vc vai mesmo pra lá né?
L diz:
eu acho que sim
(...)
estamos vendo agora
talvez compre até hoje
G diz:
uhum
mimimi
vou ficar quanto tempo sem minha finha? (Nota explicativa: "finha" é uma contração de "fofinha", o mais novo apelido "em voga")
L diz:
de quarta a sexta, amor
sexta à notie eu volto
com uma identidade nova ^^
E, de repente, enquanto estou na sala, com o finzinho de novela passando e minha mãe falando no telefone, uma voz gutural inunda a sala :
MIMIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
O laptop, equilibrado no meu colo, quase cai para frente com o pulo que eu dei, mas, para a minha sorte (ou sorte dele também, então, nossa sorte), mamãe estava muito entretida no telefone com meu pai para realmente notar alguma coisa (e os atores da novela, pelo jeito, também não notaram nada), e depois d'A Queda (ou melhor, quase queda) do Harry, recupero minha compostura e paro um minuto para pensar na origem do enorme MIMI... E é claro, lá está uma mensagem de voz do Grumpy Boy, a fonte da voz misteriosa, expressando sua frustração brincalhona pela futura distância nossa... (frustração essa entendível para quem já passou insuportáveis 35 dias longe de seu respectivo, e agora não quer mais saber de aguentar mais de 2, 3 dias seguidos)
Depois disso, o assunto se desvia brevemente, mas o humor de pregar peças na Lis ainda não foi totalmente aplacado... E, quando o jogo de futebol começa...
G diz:
finha
te amo de montao
L diz:
aaawn
G diz:
mas o futebol fala mais alto
tchau
E. Ele. Sai.
É claro que ele entra depois, soltando um "tô de brinks", mas quem seria eu se não perdesse a oportunidade de também fazer uso da ferramenta de voz? Então, preparando-me para a vingança, saio de perto do sofá e vou até o meio da varandinha-corredor, aproximo bem a boca do microfone e solto o "MIMIIIIIIIIIIIIII" mais gutural e profundo e alto de meu arsenal.
Mas, ao invés da resposta via MSN do meu menino, é a voz sonolenta do meu irmão que me alcança primeiro:
"VÉI, O QUE É ISSO?"
Rindo mais ainda, explico brevemente que estou só "zoando o meu namorado". A resposta sempre doce de meu amado ente fraterno:
"Então vai zoar ele silenciosamente..."
É. Parece que eu tenho dois grumpy boys em casa... (embora as diferenças entre os dois sejam gritantes, cof, cof)
De qualquer forma, logo a ferramenta de voz é usada não para me assustar (como ele A-DO-RA fazer), mas para suas declarações inesperadas, daquelas curtas, joviais e deixam um enorme sorriso no rosto. "TE AMO, FINHA!", assim, em alto e bom som...
Seguido, (é claro, tratando-se de meu prudente menino), com a pergunta a respeito de minha mãe- "ela está ouvindo?"
Quando comento que quem mais ouviu é o irmão, ele ainda solta um "JOW" via mensagem de voz ( Jow, para os não-iniciados, é o sinal secreto de interação entre cunhados), só que esse JOW acaba sendo logo do lado de minha mãe, que já desligou o telefone e me olha de forma curiosa (a minha sorte é que ela gosta do meu namorado... Senão seria "o que esse louco está falando aí?")
Depois dessas pequenas estripulias, é claro, eu ponho o fone de ouvido e fico bem quietinha.